quinta-feira, 29 de março de 2012

In the Land of Blood and Honey (2011) Dir. Angelina Jolie




O filme “In the Land of Blood and Honey” é uma perspectiva de alguns fragmentos do conflito da Bósnia, considerado o conflito com maior número de vidas ceifadas da história das guerras, perdendo apenas para a Segunda Grande Guerra. O insípido desequilíbrio teve as origens de suas raízes após a Guerra Fria, caracterizado por crises políticas, fervor nacionalista e religioso, conflitos sociais e de segurança que germinaram com a queda do comunismo na ex-Iugoslávia.

UM OLHAR PARA O PASSADO

Hoje assistindo ao filme acabei refletindo como eu observava o conflito naquela época, há dezesseis anos. Realmente eu não tinha nenhuma visão apurada sobre os fatos por questões obvias. Primeiro, o conflito teve seu início no final de minha infância, 1990 e terminou no percurso da minha adolescência para a fase adulta, 1996. O segundo fator é a perspectiva da mídia sobre os acontecimentos. Os telejornais transformavam a narrativa dos fatos em algo tão distante de nossa realidade que tudo parecia surreal demais para a nossa “civilidade cultural”.

Por fim era comum ouvir de forma velada sobre os conflitos na Bósnia. As mortes acabavam se tornando banais e com o tempo tudo não passava de registros jornalísticos durante o jantar frente a TV aguardando o inicio da novela das oito.

É estranhamente engraçado como naquela época eu não notava essa indiferença diante dos fatos e a frieza de todos ao observar os acontecimentos atroz. Era comum para a razão de todos definirem a bel-prazer que o resultado de tais massacres eram apenas “traços de uma cultura e povo violento”. De fato não víamos as mortes como uma conseqüência da guerra, tudo não passava de uma desordem civil em um país oposto a nossa cultura de um povo habituado com a violência. 


Hoje percebo que nós somos acostumados com a violência e que a indústria do entretenimento enfatiza constantemente essa necessidade. A violência como entretenimento nos torna “dóceis” diante dos fatos e passivos diante das tripas e vísceras expostas nos telejornais. Aos olhos de todos o Cerco em Sarajevo não passou de um desordem civil. Afinal Hollywood já definiu por quais guerras devemos chorar, nos emocionar e lamentar: Segunda Guerra Mundial. Esse é o nosso único parâmetro de violência contra a humanidade. Pois é confortante estar sentado no sofá, milhares de canais, várias emoções e nenhuma responsabilidade. O conforto é uma das maiores ilusões de nossa sociedade. Ele nos permite acreditar que somos civilizados e evoluídos em todos os aspectos.

O FILME

O filme é a estréia da atriz Agelina Jolie como diretora e roteirista. E por incrível que pareça só notei isso ao ver os créditos finais. Geralmente o que me cativa para assistir um filme é a direção e fotografia. Gosto de ter uma prévia do filme, mas geralmente odeio ler críticas, principalmente da mídia especializada. Alguns seguem uma tendência estética padronizada para “criticar” e pouco observação daquilo que realmente foi útil, interessante, apaixonante, carismático e excitante para si mesmo. Quando a questão é ler crítica, gosto de alguns blogueiros. A crítica especializada diz pouco sobre muita coisa ou se masturba demais diante de poucos fatos. Quase como eu fiz agora (risadas). 

A ESTRÉIA DE ANGELINA JOLIE COMO DIRETORA

O grande chamariz do filme aos meus olhos foram os fatos que permeiam o Cerco de Sarajevo. Esse conflito foi o mais longo cerco da história da guerra moderna, realizado pelas forças sérvias da auto-proclamada República Srpska em união com o Exército Popular Iugoslavo.  O Cerco a Sarajevo durou de 5 de abril de 1992 a 29 de Fevereiro de 1996 durante a Guerra da Bósnia. É neste cenário que ocorre a trama do filme “In the Land of Blood and Honey”.

Como se trata de um drama que relata a paixão entre dois personagens de valores culturalmente apostos, não creditei muita expectativa ao que estaria por vir. Pois baseado em experiências anteriores o filme teria tudo para ser mais um romance barato com subtítulo enrustido “Amores em tempos de guerra”. Enfatizando que as diferenças religiosas, culturais e sociais são não existem, pois o amor tudo supera. Mas para a minha surpresa o resultado foi totalmente oposto e inesperado.


O filme narra à estória de dois personagens totalmente comuns, Danijel e Ajla. Duas pessoas em lados opostos de um brutal conflito étnico. Danijel é um militar Sérvio que vive as sombras da tradição militar de sua família, servindo sem escolhas as ordens do general Nebojsa, seu pai. Já Ajla é uma pintora de classe média que se vê enclausurada em um campo de prisioneiros após a invasão Sérvia. Ambos os personagens se conheceram antes dos conflitos e ao acaso se reencontram em situação totalmente obscuras. 


 Eles poderiam até ter sido felizes juntos, porém o conflito armado tomou conta de suas vidas, transformou o relacionamento em algo sombrio, tornou suas ligações ambíguas e suas lealdades incertas. Não pense que irá ler nas letras miúdas “O amor desperta e tudo salva”, pois essa não é a perspectiva da película. O amor é o alimento dos espíritos livres e saudáveis mentalmente. O filme retrata em sua sutileza o que destrói esse amor. Prepare-se para estar diante do dano físico, moral e emocional que a guerra exerce sobre os indivíduos e as terríveis conseqüências que a falta de vontade política pode gerar em uma sociedade paralisada por um conflito.

A BELEZA NÃO-LINEAR

Além do que foi expresso anteriormente o que torna digno uma história é a humanidade de seus personagens. O que mais admirei é a beleza não-linear da atriz Zana Marjanovic que interpreta a personagem Ajla. Considero “beleza não-linear” como todas as mulheres de verdade, desenhadas com suas formas, curvas e silhuetas únicas. Isso tornou os personagens mais reais, mas próximo de nossa realidade e sensações.



Tanto esteticamente, quando fotograficamente sou um amante da estética não-linear. São mulheres mais vivas, com alma e com desejos humanos. E a atriz Zana Marjanovic é belíssima com seus traços característicos que foram sabiamente delineados com o trato a iluminação, exibindo poeticamente a sexualidade feminina. Sem contar o grande ator sérvio Goran Kostic que interpreta Danijel. Longe do biótipo “James Bond”. Um ponto positivo para a produção da Angeline Jolie.


FICHA TÉCNICA

País: EUA
Idioma: Bósnio/ sérvio
Ano: 2011
Direção: Angelina Jolie
Atores: Zana Marjanovic , Goran Kostic e Rade Serbedzija
Site Official: www.inthelandofbloodandhoney.com

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