sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Das Experiment (2001) Dir. Oliver Hirschbiegel



 Das Experiment

“Dê poder a uma pessoa e saberá quem realmente é”

Não me recordo exatamente qual o filosófico que disse tal frase, mas sempre a usei como exercício de reflexão para imaginar o potencial soturno da natureza humana. “Das Experiment” (Na versão brasileira “A Experiência”), dirigido Oliver Hirschbiegel, é um filme alemão que nos coloca diretamente com essa reflexão. O filme é baseado no romance de Mario Giordano que descreve certas experiências governamentais testada em civis para descobrir a origem da maldade humana.

SINOPSE 

O filme narra à socialização de 20 desconhecidos que tem seus destinos traçados após aceitarem comparecer a um experimento que renderá a cada candidato uma quantia voluptuosa em dinheiro. O experimento consiste em separar os voluntários em dois grupos, guardas e prisioneiros. Ambos os grupos terão que conviver em uma prisão controlada por câmeras de monitoramento durante 14 dias. Os candidatos são informados que durante todo o período do confinamento eles passaram por altos níveis de stress. Porém deveram seguir algumas regras básicas para receberem a recompensa. A principal regra que deve ser seguida, cabível a expulsão é: Qualquer conflito que possa surgir deve ser solucionado sem o uso da violência. Mas alguns pontos da experiência saem do controle.



O filme tem alguns furos de roteiro que são incoerentes com a realidade. Mas são detalhes que não interferem no andamento da ficção. Tecnicamente, um ponto forte do filme é a trilha sonora que realmente dá um ótimo ritmo a história. Principalmente quando os personagens começam a entrar em neurose, questionando os parâmetros entre realidade e ilusão. Com o passar dos dias a atmosfera de humor de ambos os grupos se altera, alguns perdem até a noção de sua identidade se deixando influenciar pelos personagens que foram ordenados a atuar durante o período de confinamento.  O que seria uma brincadeira de “bandido” (voluntários vestidos de detentos) e “mocinho” (voluntários vestidos de guardas), inverte-se, cada qual, principalmente os “guardas”, vestem de fato suas identidades fictícias. O que vemos em seguida são retrato de fatos que podemos encontrar em qualquer delegacia ou presídio de qualquer país. 

Apesar dos detalhes técnicos, garanto a vocês amigos leitores, o filme vale seus minutos. Percebemos que o homem não é bom e nem mal, apenas reflexo do meio em que vive e suas privações. Assim como qualquer outro animal. 

O EFEITO LÚCIFER E A ORIGEM DA MALDADE HUMANA.


A inspiração para o livro de Mario Giordano são as teorias sobre a condição humana, descritas por Philip Zimbardo, professor da Universidade de Stanford.  O cientista ganhou o premio Nobel de psicologia após desenvolver uma série de estudos ao longo dos anos sobre a origem da maldade humana. Em 2007 lançou o livro “O Efeito Lúcifer: Entendendo como pessoas boas se tornam diabólicas” (The Luficer Effect: Understanding How Good People Turn Evil), teorias baseadas em observações de fatos reais como as torturas e sadismo do exército americanos aos presos em Abu Ghraib no Iraque



Porém seus primeiros testes se iniciaram bem antes dos fatos ocorridos no Iraque. Os verdadeiros testes que levariam a iniciar a teorização sobre a origem da maldade humana ocorreram em 14 de agosto de 1971. Ele reuniu 24 homens que seriam remunerados para passar duas semanas nesse experimento, que consistia dividi-los em dois grupos, assim como no filme. O primeiro grupo seria aprisionado em uma cela improvisada e teriam seus direitos cassados, tal como prisioneiros comuns. Já o segundo grupo teria a responsabilidade de manter a ordem e o funcionamento da prisão, tendo liberdade em suas ações, com a única condição de que não poderiam utilizar a violência física. A experiência só durou seis dias.

A conclusão do experimento como programado “não deu certo”, pois os “guardas” ao usufruir do poder adquirido, passaram a praticar sessões de humilhação e tortura, deixando os “prisioneiros” mentalmente abalados. As torturas se resumiam a prática de exercícios repetitivos, a restrição da evacuação de suas necessidades fisiológicas, inclusive a proibição de esvaziar suas latrinas e demais atos que exploram o constrangimento e a condição de bem-estar.



Segundo Zimbardo, tais manifestações correspondem a 7 etapas que justificam tal maldade, dentre elas: a desumanização do outro; a difusão da responsabilidade pessoal (ao agir em grupo, se divide a culpa); a obediência cega à autoridade (se cumpre as ordens, sem questionamento); e a tolerância passiva à maldade através da inatividade ou indiferença.

Se você também se interessou pelo assunto e os resultados da pesquisa do psicólogo Philip Zimbardo, eis mais informações detalhadas nesse link [AQUI]. Há uma série de detalhamento sobre o tema proposto por Zimbardo, inclusive uma palestra legendado em português que esclarece com todos os detalhes o que consiste o “efeito Lúcifer”, conforme os estudos do psicólogo.

FICHA TÉCNICA

Direção:Oliver Hirschbiegel
Gênero: Suspense, Drama
Idioma: Alemão
Origem:Germany
Ano:2001
Atores:Moritz Bleibtreu, Andrea Sawatzki, Christian Berkel, Justus von Dohnanyi
Nota: 7,0/10,0

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1 comentários:

Rodolfo Araújo disse...

Olá, obrigado por citar o meu blog!

Um abraço, Rodolfo.