sábado, 9 de junho de 2018

REVENGE (2018) Dir. Coralie Fargeat



Revenge (br: Vingança) é um longa francês e também a obra de estréia da diretora Coralie Fargeat. A trama narra a história de Jen, uma riquinha americana que tem um relacionamento secreto com o milionário francês Richard. Ambos voam de helicóptero para casa isolada de Richard que se situa no meio de um grande deserto. Inesperadamente, Stan e Dimitri, amigos de caça do milionário, chegam um dia mais cedo, decepcionando Richard, que esperava manter Jen em segredo. O erotismo e a beleza da jovem atraem os olhares dos amigos inconvenientes. Principalmente Stan, que na primeira oportunidade se aproxima da jovem. A moça acaba sendo violentada. Richard ao ter conhecimento do fato acaba sendo conivente com os amigos de caça. As coisas vão além de seus limites e a moça é abandonada para morrer.

O QUE ESPERAR DA VINGANÇA?

CORALIE FARGEAT
Revenge não é um filme nenhum pouco original no quesito ‘a trama que a obra nos traz’. Ou seja, a proposta da história já foi vista em muitos outros filmes anteriores sobre Vingança Feminina. Desde os mais populares como Atração Fatal (1987) de Adrian Lyne e Thelma e Louise (1991) de Ridley Scott. Como o clássico indiscutível Carrie, A Estranha (1976) do Brian De Palma. Sem contar os queridinhos do Tarantino À Prova de Morte (2005) e Kill Bill, Volume I e II. Mas não podemos deixar de lado a menção honrosa aos seus antecessores:  Hanyo, a Empregada (1960) -Direção: Kim Ki-Young, A Noiva Estava de Preto (1968) -Direção: François Truffaut, As Diabólicas (1955) - Direção: Henri-Georges Clouzot. E a obra que considero a "mãe dos filmes de vingança feminina" como aquele contexto “sangue no zóio” que é o indiscutível “I Spit on Your Grave” (1978) do diretor Meir Zarchi.

Mas o que difere Revenge dos outros filmes? A maioria dos filmes sobre vingança feminina tiveram sempre o olhar masculino sobre esse contexto. Digo a maioria, pois existem muitas diretoras mulheres que estão trilhando a cena mais extrema do cinema, contribuindo com criatividade e novo vigor aos temas e gêneros que parecem saturados. Uma dessas debutantes é justamente Coralie Fargeat.  Seu filme não é apenas mais uma obra vazia que traz meras referências aos filmes sex exploitation e gore. Coralie traz um discurso, mesmo que sútil, porem evidente, sobre a misoginia. Sobre a objetificação feminina e com as mulheres são descartáveis. Esse perspectiva fica mais evidente na seguinte fala do personagem Richard: 
“E você pensou que poderia ganhar? Contra mim? O único momento em que isso foi possível. Foi quando te ofereci para sair sem resistir. Mas você teve que tornar isso uma luta. As mulheres sempre têm que tornar isso uma porra de uma luta.”



Como dito anteriormente. Em quesito de trama o filme não é nada original. O grande diferencial da obra é a narrativa. Mas referente as suas inspirações a diretora jamais negou sua grande influência e homenagem ao clássico  I Spit on Your Grave, 1978 do diretor Meir Zarchi

Mas isso não torna o filme seja ruim. Longe disso, o filme se faz sincero naquilo que promete. É como ouvir AC/DC. Seja o álbum “High Voltage” de 1976 ou “Rock or Bust” de 2015, você sabe o que vai ouvir. É algo muito bom, com energia, mas nada diferente do que você já ouviu. Você sabe o que esperar. Revenge segue a mesma premissa: A clássica história da garota que vai até as últimas consequências para se vingar dos seus malfeitores. Direto, franco e sincero. 



O que torna “Revenge” especial, entre outras produções do estilo, são as escolhas estéticas e como o uso do ambiente e das cores tornam a narrativa mais fluente que os clichês do gênero tem apresentado

A forma como é construída os planos, a linguagem cinematográfica de extrema qualidade e o cuidado incluindo travellings, closes, belos plano-sequenciais tornam a narrativa singular. O take que me deixou mais curioso foi a cena das gotas de sangue que caem sob a formiga no solo árido e arenoso do deserto. A forma como o sangue espesso torna a areia fina em uma armadilha que aprisiona a formiga. Dificultando seus passos, aguçando o extinto de sobrevivência do inseto que se debate em angústia ansiando sobreviver. No entanto, a origem de tais gotas que estão em um plano extremamente fechado, o oposto delas, também narram uma cena de sobrevivência e morte. Com certeza quando você assistir esse trecho irá se lembrar desse trecho do artigo.

 



Mas não se engane. Todas as cenas são brutas e densas, mas no limite da sensibilidade e realidade que ela se propõe. Sem desafiar a física ou a nossa própria inteligência. Prepare-se para muito sangue e fraturas sem censura. Não me refiro coisas trasheiras ou podreira de filmes B. São efeitos visuais convincentes que compõem a narrativa de uma obra feminina que entra para cenário do Novo Cinema Francês Extremo (New French Extremity). Revenge não é um filme fantástico, mas é um bom filme e acima de tudo sincero. 

Particularmente eu esperava uma crítica feminina “mais espartana” sobre o assunto. Mesmo assim Coralie Fargeat se saiu muito bem em seu primeiro filme. Que venham os próximos!

FICHA TECNICA

Gênero: Thriller, Ação
Ano: 2018
Minha Nota: 6,8
Origem: França
Trailer: [Aqui]

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

THE PLACE (2017) Dir. Paolo Genovese


O site filmow define o filme da seguinte forma: “Um homem misterioso senta-se à mesa de um restaurante, onde um grupo de pessoas busca o sucesso. Ele sempre fica na mesma mesa do restaurante, pronto para atender os maiores desejos de oito visitantes em troca de tarefas a serem executadas.” Depois que assisti ao filme, julguei a sinopse muito simplista. O filme é muito mais magnífico e interessante do que como a sinopse apresenta. O filme evoca elementos que são a alma da sétima arte: um grande roteiro, atores sensacionais, diálogos interessantes e uma trama envolvente.

THE PLACE E O CINEMA ITALIANO

Apesar do título em inglês o filme é de origem italiana. Mas por que o filme não tem o título em italiano? E isso é muito simples de se explicar. O cinema italiano, assim como alguns de seus cineastas, carregam em sua narrativa fortes referências culturais. Dificultando que alguns filmes tenha um expoente além de suas próprias fronteiras ou festivais específicos. 

Que fique bem claro, referências culturais jamais tornará um filme ruim. No entanto, não é algo que irá agradar a todos os públicos, principalmente aos olhos das distribuidoras. O que é compreensível e ao mesmo tempo uma tolice. Já que a beleza do cinema realmente é essa, trazer-nos várias perspectivas, experiências, emoções, alegrias e reflexões. O cinema, assim como a música, é uma linguagem universal. Mas devido a nossa constante exposição as narrativas hollywoodianas acabamos nos tornando condicionados a um único tipo de “modo de contar histórias”.



Por essa razão grandes filmes europeus ou orientais acabam caindo na terrível máquina da indústria americana de fazer remakes. Já foram desfigurados por essa máquina obras sensacionais como o filme sul coreano “Oldboy (2003)” do diretor Park Chan-Wook que nada se compara ao remake lançado em 2013 ou o filme sueco “Deixe ela entrar” (Låt Den Rätte Komma In) de 2008 do diretor Tomas Alfredson. Ambos são magníficos em seu modo "in natura". Mas a industria sempre vê as coisas de forma diferente. Os diretores acabam embarcando nessa, pois desejam reconhecimento de uma forma ou de outra.

Por essa razão o título em inglês foi uma “jogada” do diretor Paolo Genovese para atingir um grande público. O filme é falado todo em italiano, mas não há referências culturais tão especificas que possam trazer distanciamento da compreensão da obra como um todo. Muito pelo contrário, assim como os personagens e as histórias narradas, trazem a nós conflitos plenamente humanos. E isso praticamente nos transporta para dentro da história.

Podemos dizer Paolo Genovese não é um jovem diretor. Há em sua filmografia o número total de 11 filmes. Sendo as mais relevantes Immaturi (2011), Una famiglia perfetta (2012), Tutta colpa di Freud (2014) e Sei mai stata sulla luna? (2015). Mas foi em 2016 com “Perfect Strangers” (filme italiano, mas título em inglês) que ele ganhou o prêmio de melhor roteiro em um longa-metragem, tendo visibilidade no internacional no Tribeca Film Festival e foi premiado como melhor filme no David di Donatello Awards. É claro não foi o título em inglês que trouxe esse mérito, mas sim a maturidade profissional do diretor. 

O FILME

The Place é um daqueles filmes que provam do que realmente a sétima arte é feita. Roteiro sensacional, grandes atores que te envolvem no contexto. Tudo isso somado a uma direção magnifica e diálogos sensacionais que nos fazem pensar o que compõe a tal “essência humana”. O filme é tão bom que você se envolve na narrativa, esquece que são atores diante de você, esquece que todo o filme se passa no mesmo lugar.  Isso mesmo, “The Place” é o nome do restaurante aonde toda história acontece. No canto há um homem concentrado em seu dever diário: receber as pessoas a qual ele nunca convidou. Misterioso, porém, sem ser soturno ele recebesse a todos que precisem de suas “soluções”. Atento a cada detalhe, seu prazer é conhecer os detalhes das histórias narradas por seus clientes. Detalhes que ele anota com a máxima precisão em um livro já muito escrito a tinta e mãos. Quando o cliente expressa o seu desejo íntimo a ser realizado, o misterioso homem analisa seu livro e lhe dá uma tarefa a ser realizada para que se alcance aquilo que desejou.





As tarefas as serem realizadas para terem seus desejos alcançados são as mais diversas, desde ajudar velinhas a atravessar a rua até violentar uma mulher ou assassinar uma criança. Mas que fique bem claro, todos podem desistir de suas tarefas, desde que desistam dos seus desejos. Como o ego é maior que a consciência a maioria de seus clientes, mesmo ultrajados a malevolência das tarefas a serem realizadas, jamais desistem de seus desejos. E todos os desejos, de uma forma ou outra, são realizados. É nesse aspecto que o filme te pega pela mão e faz um passeio contigo nas diversas nuances da natureza humana. Mesmo não vendo as histórias narradas dos feitos realizados pelos clientes do homem misterioso, inevitavelmente participamos de todas elas, podemos vê-las em detalhes em nossa imaginação com o poder da narrativa. O Plot Twist** não é saber que há conexão entre as histórias, mas é tentar desvendar quem é o sujeito misterioso e qual é o resultado de todas as histórias juntas. E se tudo isso não lhe convenceu, terminamos com esse diálogo:
"Por que você pede coisas tão horríveis?Porque há pessoas dispostas a aceitá-las."

FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama, Suspense
Ano: 2017
Minha Nota:9,0
Origem: Itália
Trailer [Aqui]

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

TOO LATE (2015) Dir. Dennis Hauck


TOO LATE (2015)
Márcio Domenium




Infelizmente meus queridos, não consigo escrever artigos na mesma velocidade e quantidade que gostaria de compartilha-los, se comparado, as descobertas sobre novos diretores e pequenos achados que venho fazendo durante alguns meses de “meditação”. Por essa razão, antes tarde do que nunca, abri um novo espaço aqui no site, intitulado: NOVOS DIRETORES EM CENA. Sujeitos que se destacam pelo seu debut na sétima arte ou simplesmente por ser chama notável que futuramente se tornará um diamante bruto.

NOVOS DIRETORES EM CENA 
#01 - DENNIS HAUCK



Vamos fazer o nosso debut com TOO Late. o interessantíssimo Noir Moderno do diretor Dennis Hauck. Este sujeito já está sendo comparado a Quentin Tarantino devido a alguns fragmentos de sua composição como filmmaker. No entanto sua obra fala mais sobre si do que um mero comparativo. É o que veremos agora.

PLANOS CONTINUOS...

É fato que a direção, um ótimo roteiro e uma história envolvente fazem a diferença para que se tenha um bom filme. Mas existem alguns “artifícios” que tornam a experiência de se assistir um bom filme ainda mais interessantes. São métodos “arriscados”, mas que em mãos hábeis e criativas fazem a diferença para que uma história já conhecida seja contada de uma forma inovadora. Quando digo “arriscado” me refiro ao modo narrativo que quebram o conceito estético da indústria do cinema. Conceito esse concebido na concepção do roteiro que nos entrega a história a partir de etapas pré-concebidas conhecida pelos roteiristas como A jornada do herói. No youtube encontramos vários vídeos legais sobre o que consiste e como desenvolver essa técnica em seu roteiro. O meu vídeo preferido sobre o assunto vem do pessoal Omelete que você pode conferir [aqui]. Além da composição do roteiro, temos a desfragmentação da ordem das cenas e as magnificas cenas em plano contínuo.


Em OldBoy, o original, não o remake, o diretor Sul Coreano Park Chan-wook utilizou sabiamente desse artificio criativo do plano contínuo. Na famosa “Cena da Luta” temos um único take de 2 minutos e 34 segundos que, justamente pela sua perspectiva de um único plano, consegue narrar com maestria o desafio quase sobre-humano do personagem Oh Dae-su. 

O meu exemplo favorito de plano em continuidade sem cortes é de um filme alemão intitulado “Victoria” do diretor Sebastian Schipper. O filme tem um plano sequencial de somente 134 minutos. Que fique claro, sem (motherfucker) cortes meus amigos! O longa narra a história de um assalto a banco a partir da personagem principal, a dita cuja Victoria, interpretada pela atriz Laia Costa. Para que tudo desse certo foram necessários 12 dias de ensaios interruptos. Mas, tanto Oldboy, quando Victoria narram histórias “manjadas da mesa de roteiros” de Hollywood. Olboy a história de um homem em busca de vingança, o segundo um assalto a banco. Quantos filmes da “sessão kickboxer matar até morrer para se vingar sem saber o porquê” nós já não vimos com a mesma premissa?



Igualmente como os filmes citados acima o que faz a diferença em Too Late não é somente a história contada, mas o modo como ela nos é apresentada. Em suma a história é bem clichê: “Um investigador particular que está cansado do mundo em que vive. Mas se encontra aprisionado em um escândalo que envolve clubes de strip-tease, pequenos traficantes de drogas e meninas desaparecida. ” [filmow] 

A sinopse soa com um chute no saco se lembrarmos aqueles clássicos detetives de filmes noir da década de 50 e suas narrativas melodramáticas sobre suas decisões e perspectivas vinda do seu alter-ego. "Too Late” completamente diferente. Sua estruturado gira em torno de um truque impressionante que torna os diálogos e a história interessante, cabendo a nós desvendar o enigma. A história em si se desenvolve em Los Angeles, narradas em cinco segmentos cronologicamente desordenados, cada um consistindo de uma única tomada, executados em um único carretel de 35 mm de comprimento formato Techniscope (aproximadamente 22 minutos).


Ao contrário de qualquer filme de investigação a história tem início no momento em que o investigador recebe a chamada de jovem pedindo ajuda. Em Too Late, é justamente indefinido esse aspecto. Não sabemos se de fato se o investigador ou vítimas estão mortos, se estão, quando isso ocorreu e porquê. Pois todo argumento central é narrado a partir do aspecto emocional dos personagens, e não, como de costume, na investigação criminal. Com o desfilar de histórias nos deparamos com uma série de personagens coloridos que dão origem a algumas de cenas surreais e imprevisíveis. Os diálogos são intensamente saborosos e parte aditiva das pistas que nos levam a montar todo esse quebra-cabeça.  Cujo enredo é sempre ofuscado pelo perfil magnético dos personagens e estilo cativante de uma câmera que dança em meio a bela fotografia, poesia exótica e erotismo debochado.




As mulheres são belíssimas, heroínas de seus corpos em um erotismo debochado com uma pitada de caos. Cristal Reed, Natalie Zea, Sydney Tamiia Poitier, Dichen Lachman pintam esse quadro junto com a desinibida e sexy Vail Bloom. Mas o papel é para John Hawkes que me trouxe a mente uma espécie de “Nick Cave Detetive” [ver], magro e raquítico, mas que traz nas entrelinhas a malícia do mundo caótico em faz o jogo servir as suas regras.  Um sujeito que tem mais vidas que um gato e brinca com a morte como se já a conhecesse.



É difícil não fazer uma ligação mental entre Dennis Hauck e Quentin Tarantino. Ambos utilizam com elegância o ato  de montar e desmontar o tempo cronológico de uma história fazendo com que obra cinematográfica seja um outro filme dentro do mesmo filme. E esse artificio não é novo, nem quando Tarantino fez o seu debut, tão pouco com Hauck. O diretor Alejandro González Iñárritu e o roteirista Guillermo Arriaga utilizaram as mesmas variantes em Babel (2006), 21 Grams (2003) e Amores Perros (2000). Que aliás, Alejandro González Iñárritu é pai de uma obra que levou Leonardo DiCaprio a outro patamar, o premiado The Revenant (2015), O regresso.

Vamos ficar de olho nesse cara, Dennis Hauck!
Ah, quase ia me esquecendo. A trilha sonora é sensacional!

FICHA TÉCNICA

Título Original: Too Late 
Gênero: Drama
Ano: 2015
Minha nota: 7,5
Trailer [Aqui]


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terça-feira, 3 de março de 2015

The ABC's of Death 2 (2014)


Olá leitores do Imemorável!

Para quem acompanha o blog e minhas narrativas sobre o cinema de bordas com certeza se recordará da primeira premissa que fiz sobre o projeto The ABC’s of Death [veja AQUI]. O projeto consiste em reunir curtas, cada qual, abordando uma letra do alfabeto. E claro, todas as letras relacionadas com o tema “Morte”. Nesta coletânea de estórias sobre o fim comum a todos estão reunidos diversos diretores de nacionalidades distintas e diversos conceitos de narrativa. São aproximadamente 26 histórias em diversos formatos e gêneros narrativos. 

A idéia do projeto é bem simples. Cada diretor produz um curta utilizando uma letra de livre escolha. Envia para o projeto. O curta selecionado entrará na antologia. Após ver os curtas que não entraram na primeira antologia, confesso que fiquei decepcionado com as escolhas da comissão julgadora. Em meu ponto de vista muitos curtas superiores ficaram de fora da primeira seleção. Felizmente isso não ocorreu em sua continuação, The ABC’s of Death 2. Saiba as boas razões lendo esse artigo.


AS LIÇÕES DA MORTE, PARTE II


Geralmente as continuações sempre deixam a desejar, mas em The ABC’s of Death 2 há uma excelente seleção de curtas que fazem com que as duas horas filme praticamente voem. Começando já com o primeiro curta “Amateur” do diretor E. L. Katz que narra à história de um assassino iniciante. Katz nos mostra que nem tudo é tão fantástico como em filmes ao estilo de “Missão Impossível”.  O diretor fez a sua estréia no cenário com interessante “Cheap Thrills (2013)”, longa que narra o jogo de ganância entre dois grandes amigos que são manipulados por um rico casal após se conhecerem em um bar.


Cheap Thrills (2013)

O interessante do projeto “The ABC’s of Death” é que não existe critério de gêneros, ou seja, não há só diretores de filmes de terror. Isso fica bem claro no curta “Capital Punishment” do diretor Julian Gilbey. Gilbey  é conhecido por filmes como “Rise of the Footsoldier (Guerra Entre Gangues)” e “Rollin' with the Nines (9mm - O Preço da Vingança)”. Em “Capital Punishment” o diretor nos da uma luz sobre os efeitos colaterais de se fazer justiça com as próprias mãos.


Outro diretor presente é o Sr. Robert Morgan. As histórias góticas e sombrias de Tim Burton tem classificação 6 anos perto das animações soturnas de Sr. Morgan. Para aqueles que acompanham o Imemorável provavelmente irão se recordar do curta “The Cat with Hands” [veja AQUI]. Uma fábula sombria sobre um gato que adquiri, misteriosamente, mãos humanas. Mas através da animação “Bobby Yeah” que Morgan define seu estilo sombrio em stop-motion com narrativas insólitas vindas de uma imaginação grotescamente fantástica. Neste ABC da Morte o diretor nos apresenta os infortúnios de se jogar com o ceifador de vidas no curta “Deloused”.


Bobby Yeah
O sarcasmo também se faz presente com Alejandro Brugués e seu curta “Equilibrium”. Brugués ganhou sua “notoriedade” com o trash clichê “Juan de los Muertos (2012)”. Algo totalmente oposto com o curta que vem asseguir “Falling”. Da dupla de diretores israelitas Aharon Keshales and Navot Papushado. Certamente o nome dos diretores não é algo tão fácil de lembrar, mas eles já são conhecidos pelos filmes “Rabies  (2010)” e “Big Bad Wolves (2013)”. Em “Falling (Cair)” nos deparamos com a história de uma israelense pára-quedista mulher que está presa em uma árvore por seu pára-quedas e o destino faz com que um garoto árabe a encontre. O curta se desenvolve no choque de culturas e ideologias. Quem é a vítima? Eis o drama dessa narrativa. 


No entanto uma das maiores surpresas que tive foi presença de um curta brasileiro. Sim, nada mais, nada menos que um curta do diretor Dennison Ramalho. Para aqueles que desconhecem Dennison faz parte da nova safra de diretores brasileiros que trazem em suas narrativas um pouco do cotidiano e folclore brasileiro. Ao lado de diretores do universo independente como Rodrigo Aragão (Mar negro), Paulo Biscaia Filho (Nervo Craniano Zero), José Mojica Martins (À Meia-noite Levarei Sua Alma) e Kapel Furman (Pólvora Negra). Unido a esses nomes de peso do cenário underground o diretor reescreve uma nova história sobre o cinema de bordas nacional. Provando que o termo “horror” não necessariamente co-existe com produções de péssima qualidade e falta de profissionalismo. E principalmente, por não ser uma narrativa para elite social, permite sem preconceitos explorar os medos e os devaneios da sociedade contemporânea sem perder o peculiaridade do gênero que o horror tende a se expressar.


Encarnação do Demônio
O diretor teve seu “début” na cena independente com o macabro curta “Amor só de mãe (2003)”. O curta explora o culto a certas divindades baixas adoradas por moradores locais em uma aldeia de pescadores. Em 2010 ele retorna a cena com o curta “Ninjas”, narrando os traumas que a violência pode causar [veja AQUI]. Mas foi como roteirista ao lado do diretor José Mojica Martins que seu profissionalismo teve mais visibilidade no longa “Encarnação do Demônio (2008)”. Longa importantíssimo para a história do cinema nacional pois fecha a trilogia que levou mais de 30 anos para ser concluída!


Sua estréia no projeto ABC é simplesmente fantástica, tanto do ponto de vista crítico, quando do ponto de vista estético. Com o curta “Jesus” o diretor apresenta a história um casal de jovens homossexuais que são vitimados pela violência da intolerância social e religiosa. Um dos enamorados e morto e o outro, a mando do próprio pai, é submetido a um exorcismo. Com extrema qualidade de edição, roteiro, maquiagem e produção o curta faz sérias críticas a um fato tão cotidiano, abordando uma narrativa que caminha passo á passo ao horror tipicamente brasileiro.


"JESUS" por Dennison Ramalho
E claro, não poderia faltar à visão surreal, bizarra, cômica, criativa e subversiva do cinema oriental. Hajime Ohata com o seu curto “Ochlocracy” narra a história de uma mulher humana sendo julgada por seus atos de assassinatos aos não-vivos por um júri de zumbis. E Soichi Umezawa com o curta “Youth” narra à imaginação vingativa de uma jovem diante de pais displicentes. 

E por que não torture porn? Talvez não da forma como você imagina. Mas as irmãs gêmeas  canadenses  (sensualmente mortíferas) Jen and Sylvia Soska revelará uma visão feminina ao gênero com o curta que o define “Torture Porn”. Detalhe para a belíssima (digna do título “tentação”) Tristan Risk que também participou de outro filme das diretoras gêmeas, “American Mary (2012)”.  


Continue lendo pois ainda temos entre as grandes exibições um veterano do horror estratégico! O diretor Vincenzo Natali. Vincenzo deixa sua marca com o curta “Utopia”. Um curta inteligente que expõem os desejos mais íntimos de uma sociedade voltada à imagem de consumo. O título de veterano é digno ao diretor justamente por um dos seus maiores clássicos. O filme que considero “pai” da série “Jogos Mortais”. Que filme é esse? Simples “O Cubo ” de 1997. Quem nunca assistiu, anote esse dica!

E claro, não poderia deixar de falar da participação dos diretores Julien Maury e Alexandre Bustillo. Ambos da nova safra de diretores franceses do gênero que gosto de intitular como “Cinema Frances Extremo”. Realmente esses dois profissionais merecem longos comentários sobre seus méritos em desbravar o horror como jamais visto, tanto em estética, quando em roteiro. Algo que é marca registrada dos diretores da cena do “Cinema Frances Extremo”.  Por essa razão convido a lerem a postagem e assistirem “A L'intérieur (A Invasora)”. Grande filme do gênero com a minha psicopata favorita, Béatrice Dalle. [veja AQUI] No ABC da Morte os diretores nos presenteiam com o curta “Xylophone”. História de uma babá que entra em estado hipnótico ao som do xilofone. E quem é a “babysitter” do curta? Olha só Béatrice Dalle! Um pouco mais velha, mais ainda com uma sensualidade e obscuridade digna de seus personagens. 


Béatrice Dalle em “A L'intérieur (A Invasora)”

Quem deseja ver Béatrice Dalle em sua melhor forma, leia o artigo sobre o filme (tradução livre) “Desejo e Obsessão” da diretora Claire Danis. [veja AQUI] Você ficará diante de uma ninfomaníaca como jamais viu.


E claro, não poderia faltar algo realmente horripilante e com umas pitadas de gore. Para última letra do alfabeto e último curto da antologia temos o angustiante “Zygote (Zigoto)” do diretor Chris Nash. Nash em sua filmografia não tem nada que seja significante. Mas lhe garanto o curta “Zygote” vai lhe deixar desconfortável na poltrona. A história é bem simples. O marido por uma razão desconhecida deixa a esposa em plena nevasca para fazer o trabalho de parto sozinha. Ela implora por sua presença, mas ele continua persistente na decisão em deixá-la, prometendo voltar quando tudo acabar. Agora pense comigo. Não podemos adiar o nascimento de um bebê, certo? Errado! E Nash irá nos provar o contrário da forma mais angustiante possível!

FIM DAS LIÇÕES

The ABC’s of Death 2 fez uma ótima seleção, espero que vocês apreciem o filme e comente esse artigo. Disponibilizo a listagem dos títulos dos curtas e seus respectivos diretores, além dos arquivos para download. Os títulos destacados são aqueles que considero imprescindível não deixar de assistir.


LISTA DE CURTAS


(A) is for Amateur (Amador) 
Dirigido por E. L. Katz


(B) is for Badger (Texugo)
Dirigido por Julian Barratt



(C) is for Capital Punishment 
Dirigido por Julian Gilbey



(D) is for Deloused 
Dirigido por Robert Morgan 

(E) is for Equilibrium 
Dirigido por Alejandro Brugués



(F) is for Falling 
Dirigido pores Aharon Keshales and Navot Papushado

(G) is for Grandad 
Dirigido por by Jim Hosking

(H) is for Head Games
Dirigido por Bill Plympton



(I) is for Invincible 
Dirigido por by Erik Matti 



(J) is for Jesus 
Dirigido por  Dennison Ramalho

(K) is for Knell 
Dirigido pores Kristina Buozyte and Bruno Samper

(L) is for Legacy
Dirigido por Lancelot Odawa Imasuen

(M) is for Masticate 
Dirigido por Robert Boocheck

(N) is for Nexus 
Dirigido por Larry Fessenden



(O) is for Ochlocracy 
Dirigido por Hajime Ohata

(P) is for P-P-P-P SCARY! 
Dirigido por Todd Rohal

(Q) is for Questionnaire 
Dirigido por Rodney Ascher

(R) is for Roulette 
Dirigido por Marven Kren*

(S) is for Split 
Dirigido por Juan Martinez Moreno



(T) is for Torture Porn 
Dirigido Jen and Sylvia Soska

(U) is for Utopia 
Dirigido por Vincenzo Natali

(V) is for Vacation 
Dirigido por Jerome Sable**

(W) is for Wish 
Dirigido por Steven Kostanski



(X) is for Xylophone 
Dirigido por Julien Maury and Alexandre Bustillo

(Y) is for Youth 
Dirigido por Soichi Umezawa



(Z) is for Zygote 
Dirigido por Chris Nash


FICHA TÉCNICA

Título Original: ABCs of Death 2 
Gênero: Horror, Comedia, Animação
Ano: 2014
Minha nota: 7,9


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Torrent + Legenda em Português (ABC2.zip)

 

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sábado, 26 de julho de 2014

“Lights Out” de David F. Sandberg



O medo na maioria das vezes é inominável e desconhecido. De fato esse sentimento angustiante nada mais é do que o sussurro de nossa essência animal. Sem o medo, não teríamos a consciência dos perigos a nossa volta e certamente já estaríamos extintos. Mas e quando nossos medos mais ocultos tomam formas reais? Essa é a proposta do curta “Lights Out” de  David F. Sandberg. Assista com as luzes apagas se tiver coragem. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Black Snake Moan (2006) Dir. Craig Brewer



“Quando o desejo corre entre as pernas como uma serpente rastejando no deserto. Quando o blues ecoa na alma canções de solidão, morte e desejo. Basta ser humano para se perder em tão íntimo caos” [Domenium]


Em quantos frames podemos ver Christina Ricci apenas de roupa íntima? Essa é a sensação que temos nos primeiros minutos de “Black Snake Moan”. Mas o filme vai muito além das primeiras premissas. A obra do diretor Craig Brewer nos leva a uma jornada de pedras. Narra a história de duas almas açoitadas por suas dores e mágoas, duas almas em busca da redenção de seus sentimentos. Cada qual em seu inferno particular, ambas vivendo no purgatório social situado em uma cidadezinha do interior. Quando ambas se encontram surge a conjuração dos polares opostos, Ying e Yang. O duelo entre a serpente e o cordeiro. Apenas o blues, o álcool e a esperança entre o céu e o inferno são as únicas certezas neste caminho sem volta.


BLUES, SUOR E CARNE

Christina Ricci é Rae Doole, uma jovem sem futuro vivendo na terra do nunca, uma pequena cidade do interior do Mississippi. Ricci é carne viva. É fogo que arde sem queimar. Em seu corpo uma serpente rasteja insaciável. Não sabemos se sexo é a sede de sua carne ou uma necessidade incompreensível de expurgar o vazio que ecoa em suas entranhas, clamando sua presença para as profundezas do íntimo caos. Mas de fato a jovem é uma ninfomaníaca irremediável aos olhos dos moradores. Carne fácil da cidade do interior. Michael Douglas ficaria no chinelo perto dos desejos insaciáveis dessa pequena volúpia.


Todos da cidade já conheciam o seu cheiro, seu gosto e as úmidas pétalas Rae Doole. Mas as coisas pareciam ter mudado de um tempo para cá. A pequena já não semeava seu polém em outros jardins. A vida da moça entrou em uma espécie de equilíbrio após começar a se envolver plenamente com um rapaz de família, um tal de Ronnie (Justin Timberlake). Mas como para a presença da dor basta existir a abstinência do amor. As coisas tomariam um outro rumo.  















Ronnie deixou a jovem, seguindo viagem para Tennessee a serviço da Guarda Nacional. Em sua ausência Rae Doole ouve novamente o caos sussurrar e a serpente dançar em suas entranhas até se transformar em um intenso desejo. Apartir daqui a viagem é uma intensa ladeira. Sexo, drogas, álcool e libertinagem fazem parte da jornada ao abismo de si mesma.

Na outra ponta da história temos Lazarus (Samuel L. Jackson), um fazendeiro profundamente religioso e bluesman aposentado. Ele vive um dilema moderno. Sua esposa o deixou por um homem mais jovem, pois via nas feições do agricultor o fim de sua própria vida. O dilema seria pouco se o amante de sua esposa não fosse seu próprio irmão. Com o orgulho ferido e um coração em sangria, Lazarus abraça o blues e o álcool para compor a melodia de sua desilusão. E como escapismo, o blues, a melancolia, sua guitarra, surge para alguém em um momento em que sua fé está ao ponto de ser testada.


É no meio do caminho que ambas as criaturas perdidas se encontram. De um lado a “succubus” Rae Doole devorando e deixando ser devorada pelo primeiro que cruzar o seu caminho. De outro lado, Lazarus um cordeiro em dúvida que abraça o verbo do diabo, o blues, em busca de sua libertação. No entanto aos olhos de Lazarus a jovem de curvas fáceis é um desafio a desbravar, uma provação de seu deus, uma curva em seu destino.


O encontro ocorre em uma manhã de domingo. Lazarus se depara com o corpo semi-nu de uma jovem abandonado a beira da estrada frente a sua propriedade. Visivelmente ferida o ele a carrega em seus braços. A jovem, tomada por um ataque febril e delirante tenta envolver Lazarus em seu templo íntimo. Assustado o homem de deus deixa a moça aos gritos e delírios. Porém não desiste da provação que foi lhe dado.


Após investigar com alguns moradores da cidade Lazarus tem a imagem "mundana" de quem é Rae Doole. No entanto ele não desiste de sua tarefa, trazer a jovem a sua sanidade mental, salva-la do desejo incontrolável por sexo. Para isso o homem acorrenta a jovem no aquecedor. Eis que o filme vai ficando cada vez mais interessante. Vemos agora uma batalha entre Ying e Yang, cada qual, lutando contra si mesmo e contra o outro. Cada qual conhecendo a si mesmo e o próximo. Ambos utilizando as suas armas. Doole a sedução e a loucura. Lazarus a dedicação, a palavra de deus e o blues.


CURIOSIDADES SOBRE O FILME


O título nacional “Entre o Céu e o Inferno” pode ser bem atrativo mas o título original faz muito mais sentido à trama. “Black Snake Moan” é uma canção do músico guitarrista, bluesman, “Blind” Lemon Jefferson. A canção fala do desprezo da mãe para com o filho. Com o passar da história descobrimos que os desejos insaciáveis de Rae Doole têm fundamentos além da libertinagem gratuita. Quando criança, ela sofreu abusos sexuais, o sexo sempre esteve presente em sua vida. 


"Blind" Lemon Jefferson foi um dos mais populares cantores de blues da década de 20. Pai do estilo conhecido como “delta blues”. Estilo que teve a sua origem na região do delta do rio Mississippi, nos Estados Unidos. Essa região é conhecida tanto pelos solos férteis e também por sua pobreza extrema. Guitarra e gaita são os instrumentos predominantes. Por essa razão o músico ganhou o título “Pai do Texas Blues”. Mesma razão que o filme traz inúmeras referências ao movimento Mississippi Blues, nomeadamente em seu título e trilha sonora.

A alcunha “blind” (cego) em seu nome é devida cegueira de nascença. Lemon nasceu em 1893 e morreu em 1929 de uma peculiarmente estranha, porém lendária a qualquer filhos do blues. Em seu atestado de óbito diz "provavelmente miocardite aguda". Mas a lendas circulam e isso torna as estórias mais interessantes. Uns dizem que ele morreu após tomar um café envenenado por sua namorada ciumenta. O sujeito era cego, mas parecia não ter apenas as "mãos bobas". Outros dizem que ele sofreu um ataque cardíaco ao ficar desorientado após uma nevasca e teria congelado até a morte. Até um ataque de cachorro louco foi à razão da morte do pobre Blind Lemon Jefferson. Mas a minha versão favorita é aquela que narra sua morte em um assalto na estação de trem. Dizem que ele foi morto roubarem o dinheiro que o músico havia recebido em royalties. Uma morte típica dos filmes de faroeste! Independente da razão de sua morte, Samuel L. Jackson incorporou a essência do velho “blind” ao cantar a triste canção “Black Snake Moan”.


Outra curiosidade bem bacana. Para que Samuel L. Jackson realmente vivesse o músico, ele passou sete horas por dia, durante meio ano aprendendo a tocar guitarra para executar várias músicas que ouvimos durante o filme. As aulas e os exercícios aconteciam nos intervalos e durante a produção do filme “Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane)”. O resultado foi mais do que curioso, foi sensacional. O ator realmente absorveu o espírito “Robert Johnson” que existe em todo músico. Todas as canções interpretadas ficaram sensacionais. Direi as minhas favoritas. Além da música com título “Black Snake Moan” que ficou totalmente sombria, recomendo a canção sangue-no-olho, “Stack-O-Lee”. A canção narra uma briga entre dois sujeitos ao estilo "Say what again motherfucker" de Jules Winnfield, personagem de Samuel L. Jackson em Pulp Fiction.




Christina Ricci, nossa eterna “kat” do filme “Gasparzinho, o Fantasminha Camarada (Casper) 1995” entrou na personagem utilizando correntes reais que pensavam 40 libras (18 kg). As calcinhas utilizadas eram de suas próprias gavetas, assim como um par de botas de cowboy, uma jaqueta Wrangler e um short. Antes do início das filmes e durante  a atriz comia apenas alimentos sem valor nutricional para alcançar uma aparência doentia. Além de andar apenas de calcinha durante toda gravação para encarnar a naturalidade de não usar quase nada.

Tanto Christina Ricci, quando Samuel L. Jackson tiveram uma atuação incrível. Apesar do filme não ter sido lançado nos cinemas, consagrado “Black Snake Moan” como o retorno aos grandes papéis, tanto para Samuel L. Jackson que não víamos nada parecido desde "Pulp Fiction (1994)" do Quentin Tarantino, quando para Christina Ricci. Já o diretor Craig Brewer tem mais dois filmes assinados com a sua direção, porém nenhum deles teve tanto impacto quanto esse em questão.

Além do filme, disponibilizo aos amigos leitores a trilha sonora de “Black Snake Moan” que vai muito além de uma mera trilha sonora. Há uma verdadeira coletânea de vozes atuais do blues. Sendo que das 17 músicas, 4 são executadas por Samuel L. Jackson. Afinal o objetivo desta nova série de postagens intitulada FILMES QUE FALAM DE MÚSICA é justamente esse, mostrar uma outra linguagem da sétima arte e falar de outra expressão que também traz vida a nossa alma – a música.

Bom filme a todos e comentem a postagem! Alimente o blog com seu ponto de vista e fique por dentro das atualizações através do facebook [AQUI]


FICHA TÉCNICA

Direção: Craig Brewer
Título Original: Black Snake Moan
Título de Divulgação no Brasil: Entre o Céu e o Inferno
Gênero: Drama
Ano: 2006
Minha nota: 8,5

TRAILER




DOWNLOAD DO FILME

Torrent do filme 


Legendas em Português/ Inglês (Legenda BSM.rar)


DOWNLOAD SOUNDTRACK

1. Opening Theme - Scott Bomar
2. Ain't But One Kind of Blues - Son House
3. Just Like a Bird Without a Feather - Samuel L. Jackson
4. When the Lights Go Out - The Black Keys
5. Standing in My Doorway Crying - Jessie Mae Hemphill
6. Chicken Heads - Bobby Rush
7. Black Snake Moan - Samuel L. Jackson
8. Morning Train - Precious Bryant
9. The Losing Kind - John Doe
10. Lord Have Mercy on Me - Outrageous Cherry
11. Ronnie and Rae's Theme - Scott Bomar
12.  The Chain - Scott Bomar
13. Alice Mae - Samuel L. Jackson
14. Stack-o-lee - Samuel L. Jackson
15. Poor Black Mattie - R. L. Burnside
16. That's Where the Blues Started  - Son House
17.  Mean Ol' Wind Died Down

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